Formação

«O trabalho árduo diário fez-nos acreditar que era possível»

O percurso do Varzim no Campeonato da 1.ª Divisão Distrital de Juvenis foi árduo, com muitas contrariedades e resultados difíceis de digerir, mas a união do grupo de trabalho e o espírito de sacrifício dos jogadores, foram fundamentais para a equipa dar a volta por cima e garantir a manutenção na última jornada.
Em entrevista ao site oficial do Varzim, o treinador André Marques faz o balanço desta época 2013/2014.

– Foi uma época difícil mas que terminou com o objectivo cumprido, a manutenção. Como analisas o percurso da tua equipa?
Foi um ano muito difícil, sim. Esta equipa vinha de 2 anos consecutivos a descer de divisão nos respectivos campeonatos dos seus escalões anteriores. À partida já sabia que ia ser uma época desportiva muito complicada, mas sabia que havia valor individual e, com trabalho e sacrifício, tudo era possível.

 – No início do campeonato pensavas que o caminho fosse ser tão duro e difícil como acabou por ser?
Sinceramente, não. Quando começamos a pré-época, reparamos logo qual o primeiro défice que esta equipa tinha, que era falta de intensidade para jogarmos a um ritmo alto como gosto que as minhas equipas joguem. Fomos trabalhando nesse sentido, e os jogadores começaram a vir ao nosso encontro. Com o início do campeonato, deparamo-nos com outra situação que não estávamos de todo à espera, um défice muito grande de níveis de concentração e competitivos. Neste momento percebemos que os jogadores ainda estavam muito afectados por tudo o que lhes tinha acontecido nos anos anteriores. Mas sempre com trabalho árduo, com um crer e uma fé inabalável no nosso trabalho, conseguimos “atracar o nosso barco a bom porto”.

– Quais foram as dificuldades que surgiram no campeonato e que mais te surpreenderam ou, digamos, te apanharam mais desprevenido?
Não estava à espera de conseguir só 8 pontos fora de casa. Não foi um factor que me apanhou totalmente desprevenido, mas ao qual podíamos e devíamos ter feito melhor, umas vezes por infelicidade, porque houve jogos que não merecemos o desfecho final, noutras situações simplesmente porque os adversários também têm valor e nós não jogamos sozinhos, e também por erros meus, na definição da estratégia ou planeamento semanal, mas fomos sempre iguais a nós próprios e fiéis ao nosso estilo de jogo, no qual queremos sempre ter bola e dominar os adversários, o que pode nos ter custado “caro” em algumas situações. Mas tudo isto tem uma explicação, fomos a equipa que menos treinos realizou ao longo da época nos sintéticos (no Complexo Municipal) devido à prioridade dada, e perfeitamente aceitável por todos, a escalões que lutam por objectivos mais importantes para o clube.

E os momentos mais difíceis de lidar?
Foram alguns. Não é fácil para os jogadores acreditarem num treinador que lhes está a dizer que nos vamos “safar” quando à 7ª jornada só tínhamos 1 ponto. Não foi fácil começarmos os 4 primeiros jogos a ganhar 1-0 a partir dos 10 minutos de jogo e só conseguirmos obter um empate logo na primeira jornada. E nunca é fácil trabalhar sobre a derrota do último fim-de-semana. Mas enquanto jogador na formação, pelo que sempre vi e li da história do Varzim, pelo que significa SER VARZIM, nós somos um povo que nunca desiste, que nas grandes dificuldades revelamos o nosso verdadeiro carácter, e foi sempre esta a mensagem que fomos passando durante o ano todo ao grupo.

– Alguma vez sentiste que o grupo não acreditava na manutenção?
No início do campeonato, à 7ª jornada, tínhamos 1 ponto. Neste momento estávamos a 7 pontos da linha de água, o que era muito pouco em termos de pontuação, que pensávamos que poderíamos ter até então, mas o objetivo estava a 7 pontos, perfeitamente ao nosso alcance. À 15ª jornada, no fim da 1ª volta, tínhamos 12 pontos, e estávamos a 4 da manutenção. Com o andar do campeonato, após as primeiras 7 jornadas (6 derrotas consecutivas), a equipa começou a perceber cada vez mais o que era necessário fazer, e posso dizer que foi este crescendo ao longo do ano (só na 2ª volta fizemos 23 pontos dos 35 totais) que nos fez sempre acreditar que tudo era possível!

– Qual foi, então, o momento chave que fez com que a equipa reagisse e fosse amealhando os pontos necessários para chegar à última jornada e conseguir a manutenção?
Posso dizer que foram vários. A vitória à 8ª jornada por 5-0 contra o Castelo da Maia, por ser a primeira e pelos números expressivos que nos mostraram verdadeiramente que o nosso trabalho estava a começar a dar frutos. A vitória à 15ª jornada contra o Padroense, quando estávamos a perder 2-0 em casa a 8 minutos do fim e conseguimos dar a volta com 3 golos em 5 minutos. A participação no torneio de Vila Praia de Ancora também mostrou-nos que podíamos contar com todos os jogadores do plantel e não só com 13 ou 14, que culminou com a vitória da nossa equipa! Mas como disse, foi o crer e trabalho árduo diário que nos fez acreditar a cada dia, cada treino, cada jogo, que era possível.

– Houve derrotas muito pesadas, nos campos dos adversários, como por exemplo os 7-0 com o Boavista ou os 5-0 com o Trofense. O que falhava nesses jogos?
São jogos completamente distintos. No jogo da Trofa, por incrível que pareça, foi um jogo tremendamente injusto pelo que fizemos. Entramos praticamente a perder (1-0 aos 6minutos), num lance de sorte (marcação de um canto direto), mas tivemos 4 oportunidades claras de golo só na 1ª parte que podiam ter dado outra imagem ao intervalo que era de 1-0. Voltamos para o jogo e continuamos fortes a sair para o ataque até que o adversário num lance de contra-ataque fez o 2-0 (já a 20 minutos do fim) e pouco tempo depois vimos um jogador nosso a ser expulso o que deitou por terra todas as nossas aspirações neste encontro. Quanto ao jogo do Boavista, não há nada a dizer. O adversário foi totalmente superior à nossa equipa em todos os aspetos, um jogo em que os meus jogadores nunca se encontraram, em que os últimos 3 golos foram nos 5 minutos finais de jogo. Foi uma tarde para esquecer…

 Na Formação, os resultados nem sempre são o mais importante, mas nós sabemos que os miúdos têm um espírito competitivo muito forte e uma ânsia de vencer muito grande. Que mensagem consideras ser importante passar para o grupo depois das derrotas? E nas vitórias?
No futebol passamos todos de bestiais a bestas, ou vice-versa, num ápice, desde o presidente até ao roupeiro. Na minha opinião nem tudo está mal quando se perde, ou está tudo ótimo quando se ganha. Um campeonato é uma guerra, em que temos 30 batalhas para ganhar, e de nada interessa a última, a não ser para aprender, porque a que se vai jogar e depende do nosso trabalho é a seguinte. A nossa mensagem foi sempre esta, foco no adversário seguinte porque nada está ganho ou perdido, só no fim é que se pode festejar…

 O que destacas de mais positivo nesta época desportiva e de mais negativo?
De negativo só mesmo a pontuação das derrotas! De resto, quero aproveitar para destacar toda a entrega, dedicação e vontade de dar sempre a volta a todos os acontecimentos por parte dos meus jogadores. Sem eles nada disto era possível! Eles é que estão verdadeiramente de Parabéns! O mais positivo de tudo foi nós conseguirmos com que as pessoas passassem a olhar para estes miúdos, não como um geração fraca ou de coitadinhos, mas sim jovens com valor, que perderam 4 jogadores importantes deste grupo, 2 para outras equipas (um é o Filipe Dinis que este ano já chegou à selecção nacional, a quem quero aproveitar para dar os meus parabéns publicamente) e mais 2 a jogarem regularmente na equipa do Nacional de Juvenis.

– Sentes que sais desta época um treinador mais maduro e experiente?
Sem dúvida! Como já tive a oportunidade de dizer no balneário, cresci e aprendi imenso com tudo o que passei este ano com estes miúdos. E se já acreditava no meu trabalho, cada vez mais tenho a certeza do que posso e sei fazer! Mas este “mini-sucesso” (a história do Varzim obriga-nos a muito mais) deve-se a todas as pessoas que trabalharam comigo e que foram incansáveis, desde os directores, sr. Rogério, o sr. Bernardino e o Miguel particularmente, que trouxe uma alegria imensa a este grupo de trabalho, aos massagistas sr. Chico e sr. Francisco que nos acompanharam na maioria dos jogos, e como é óbvio à minha equipa técnica composta pelo Joaquim Santos (Jó) e pelo Ricardo, que tiveram uma entrega e dedicação enorme a este grupo, e de uma forma muito intensa. Não posso deixar para trás a minha família, em especial ao meu irmão que muito me acompanhou, ao meu padrinho, Manuel “Neca” Milhazes que todos os dias me ensina o que é o Varzim, e à minha namorada por me aturar! Não posso deixar passar os pais que sempre nos apoiaram, como 2 pessoas muito importantes na minha formação como treinador, o Mister Cacheira, um homem muito sábio que com toda a sua inteligência sempre me aconselhou da melhor forma, semana após semana, e ao prof. Tobias que sempre acreditou no meu trabalho e sucesso e que sempre me apoiou quando os resultados não eram os melhores.

 – Qual a maior lição que retiras desta caminhada no Campeonato Distrital dos Juvenis?
Que o sonho comanda a vida! Houve 2 frases que nos acompanharam durante o ano e que gostaria de partilhar com todos: “Nunca deves desistir. Os vencedores nunca desistem e os desistentes nunca vencem…” e por fim “Cada sonho que você deixa para trás, é um pedaço do seu futuro que deixa de existir…” e nós fomos sonhando…

andremarques2

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