Formação

“Não é qualquer um que veste esta camisola”

Álvaro Milhazes |16 anos | Defesa esquerdo| Juvenis A

Dezasseis anos de idade. Dez anos de Varzim. Sempre com a braçadeira de capitão. Álvaro Milhazes, defesa esquerdo da equipa principal dos Juvenis, é um dos muitos e bons exemplos que o nosso Clube possui na Formação, de jogadores que sabem muito bem o que representa jogar no Varzim e do privilégio que é pertencer a esta “casa” e vestir a camisola alvinegra.
Em entrevista ao site oficial, “Cueca”, tal como é conhecido, fala-nos, entre muitas coisas, sobre o que de melhor lhe aconteceu, até ao momento, no Varzim, sobre o trajecto dos Juvenis no Campeonato Nacional e sobre as suas ambições para o futuro.

– Estás na Formação desde os escolinhas. Como têm sido estes anos no Varzim?
Têm sido anos muito bons. Tenho aprendido muito desde que cá estou, ou seja, desde os meus 6 anos. No início, vim para fazer apenas uns treinos, porque nem um chuto sabia dar na bola. Fui treinando e sentia que estava a evoluir até que o mister Cacheira pediu os meus dados para me inscrever. Quando recebi essa notícia senti um orgulho enorme. Comecei a jogar e, logo no primeiro jogo, percebi o significado de jogar no Varzim. Não há melhor coisa do que vestir esta camisola!

– Quais foram os melhores momentos que viveste, até hoje, na Formação e em que escalões?
Ao nível individual, foi quando recebi a medalha de Jogador de Mérito, no escalão de Escolinhas, no Jantar de Aniversário do Varzim, no Casino da Póvoa. Ao nível colectivo, foi nos Iniciados, quando chegamos à 2.ª fase. Terminámos a 1.ª volta, em 8.º lugar e com poucos pontos, mas na 2.ª volta conseguimos fazer bons resultados. Quando faltavam apenas 5 jogos e estavam 15 pontos em disputa, o Varzim estava a 12 pontos do 2.º lugar. Ninguém acreditava que fossemos capazes, mas nós, sim. E a verdade é que conseguimos esse feito e foi um orgulho enorme.

– Quem são as tuas principais referências no Varzim?
Admiro muito o mister Cacheira por tudo o que fez até hoje na Formação do Varzim, pela forma como ele lida com os miúdos e pela capacidade que tem em ajuda-los a evoluir como jogadores. O mister Tobias é outro dos profissionais do Varzim por quem eu nutro uma grande admiração, por todo o trabalho que ele tem feito nestes 4 anos em que estou com ele (Iniciados e Juvenis), para além daqueles em que ele estava a adjunto nos Infantis e nos Benjamins. Depois, ao nível de jogadores, admiro muito o Telmo pelos anos que ele tem de Varzim e pela mensagem que ele passa aos adeptos quando está a jogar. Tem raça e mostra que o Varzim está bem vivo e tem tudo para voltar a ser o que era.

– Cumpres o teu segundo ano nos Juvenis que estão competir no Nacional, na série B, a mais complicada de todas. Como analisas o percurso feito pela equipa até ao momento?
Neste momento estamos numa posição em que, se o campeonato acabasse agora, o nosso objectivo estava cumprido. Temos tido alguns azares, como lesões durante a semana. Às vezes, temos tudo preparado para o jogo e, chegamos a 5.ª ou 6.ª feira, alguém se lesiona e a estratégia muda completamente. Também cometemos alguns erros que nos custaram alguns pontos e, para além disso, em alguns jogos, fomos também vítimas de más decisões da equipa de arbitragem que nos prejudicaram. Actualmente, estamos dentro daquele que é o nosso objectivo e só queremos dar seguimento a este ciclo de vitórias para o alcançarmos o mais rápido possível.

– E, em termos individuais, estás satisfeito com o trabalho que tens realizado?
Sim, posso estar satisfeito pela minha prestação, mas sei que posso evoluir mais. É para isso que trabalho, semana a semana, para progredir e melhorar jogo a jogo.

– Tens sido titular indiscutível e, para além disso, és o capitão de equipa, qual é o segredo para merecer a confiança do treinador?
Limito-me a trabalhar e a dar o meu melhor nos treinos e nos jogos e, a partir disso, o mister avalia se estou em condições e se mereço jogar. Felizmente, tenho sido sempre opção e espero continuar a ser. Como capitão, tenho o dever de tentar dar o melhor exemplo aos meus colegas e fazê-los ver que, só com trabalho, é que conseguimos atingir os nossos objectivos. Procuro também transmitir aquilo que é o Varzim e fazê-los perceber que não é qualquer um que veste esta camisola.

– A braçadeira de capitão é uma responsabilidade, mas também um orgulho. O que sentes quando te atribuem esse papel?
Sou capitão desde os Escolinhas. Conforme os anos foram passando e eu fui crescendo, passei a encarar a braçadeira como uma responsabilidade e mentalizei-me que, se os treinadores me confiam essa função dentro do grupo é porque eu tenha capacidade para exercê-la.

– Tens espírito de líder?
É preciso haver um equilíbrio. Há momentos em que temos que estar concentrados, unidos e focados naquele que é o nosso objectivo e há outros em que nos podemos descontrair mais e divertirmo-nos uns com os outros. Eu tenho a obrigação de orientar os meus colegas nesse sentido e de resolver, da melhor forma possível, qualquer problema que haja dentro do balneário.

– Há quem diga que tu és um dos jogadores mais queridos na formação. A amizade e o estar de bem com as pessoas, também são para ti ingredientes para o sucesso individual e colectivo?
Procuro dar-me bem com toda a gente, principalmente, com as pessoas com quem trabalho diariamente. Claro que, de vez em quando, temos as nossas chatices uns com os outros, também faz parte. Mas, depois, tudo se resolve e ficamos todos bem outra vez. Se, para além do trabalho e do empenho de cada um, não existir amizade e união entre todos, não conseguimos ter sucesso e concretizar os nossos objectivos.

– Também és considerado um dos jogadores que melhor encarnam a mística do Varzim. O que significa isso para ti?
Desde pequeno que acompanho o Varzim, tanto a Formação como os Seniores. Quando fui inscrito para jogar, fiquei nas nuvens. Nem conseguia acreditar. Foi uma coisa do outro mundo. O Varzim é um clube com história e muito prestigiado. Mas não é fácil falar sobre a sua mística, explicar do que se trata. Só mesmo quem joga no Clube é que percebe. A mística é algo de muito forte que sentimos sempre que vestimos a camisola alvinegra.

– O teu primo Salvador Agra foi também um jogador que deixou marcas no Varzim pela raça e pela forma apaixonada como se entregava ao jogo. Está no sangue?
Faz parte da nossa maneira de ser e tem a ver com o facto de pertencermos a uma família de pescadores. Crescemos com o exemplo dos nossos Pais que trabalham arduamente e vencem as dificuldades do mar. Desde pequenos que ouvimos eles dizer que as coisas não caem do céu e que é preciso trabalhar muito para conseguir aquilo que queremos. Se temos um sonho, temos que lutar com garra por ele. Também por isso, o meu primo Salvador é um exemplo e uma inspiração para mim. Admiro-o muito.

– Tencionas construir uma carreira no futebol? Quais são os teus sonhos?
Como todos os meus colegas da Formação, gostava muito de jogar na equipa principal do Varzim. É um dos meus sonhos. Quero muito construir uma carreira sólida no futebol e, quiçá, um dia jogar na liga inglesa, num Arsenal ou num Manchester.

– Pretendes também prosseguir os estudos?
Neste momento estou num curso profissional de gestão de desporto na Escola Secundária Rocha Peixoto e pretendo conclui-lo, conforme as coisas me vão correndo no futebol.

– Como surgiu a alcunha “Cueca”?
Fiquei com esse nome quando tinha, mais ou menos, 3 anos. Estava no Algarve, numa casa privada e, como era miúdo, pus as cuecas na cabeça e na altura, o meu primo Salvador e o Rui Coentrão disseram: Olha o Cueca!… E ficou até hoje. (risos)

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