 Tinha seis anos quando começou a jogar futebol no clube da sua terra natal, o Esposende, mas no segundo ano de Juvenil, decidiu aceitar o desafio de um amigo para vir treinar ao Varzim. As suas qualidades valeram-lhe a permanência no clube. Nos juniores, Rafael Lopes singrou como marcador de serviço e o seu notável desempenho na época transacta valeu-lhe a subida à equipa sénior...
Na pré-temporada, foi poucas vezes utilizado por Eduardo Esteves pelo que a massa associativa pouco pôde conhecer deste jovem avançado. Talvez por isso, Rafael Lopes tenha sido a grande surpresa deste Varzim 10/11 em competições oficiais. Alfredo Lapa, treinador que orientou o jogador nos Juniores, havia salientado, na altura, o instinto de ponta de lança como a característica mais vincada de Rafael, à qual acrescentou a sua grande capacidade para perceber os movimentos dos colegas e em procurar espaços para finalização, o bom domínio de bola e o remate forte e colocado. Bastaram os dez jogos que realizou, até ao momento, na Liga Orangina para os adeptos poveiros atestarem todas as competências acima citadas e olharem para este avançado de 19 anos como mais uma grande promessa, lançada pelo Varzim, para o futebol nacional. Para Rafael Lopes, este início de carreira como jogador profissional na equipa dos Lobos do Mar “não podia ser melhor”, mas o bom momento que atravessa só faz sentido se partilhado com o grupo. “A fase que atravesso actualmente só é positiva porque tenho tido a ajuda da minha equipa. A ajuda dos meus companheiros é preponderante. Se a equipa não estivesse bem e não funcionasse colectivamente, os valores individuais não se realçavam”. Confessa que “ganhar um lugar na equipa sénior do Varzim é muito díficil” e, por isso mesmo, no início da época, não previa ganhar a titularidade tão cedo. Felizmente, o trabalho e a dedicação diários, foram premiados com uma oportunidade por parte do treinador e Rafael apenas fez aquilo que se exige a qualquer profissional, ou seja, agarrou-a. E o resultado está à vista de todos: cinco golos apontados. “Tenho tido sorte e oportunidades de golo. Mas volto a sublinhar que as situações de golo surgem porque alguém me passa a bola, alguém faz o cruzamento, alguém coloca a bola em profundidade. Eu só tenho que concretizar. É óbvio que há mérito meu nos golos, porque estou «lá» e porque finalizo mas também há mérito de toda a equipa e dos colegas que construíram a jogada ou criaram o lance”. O golo mais recente de Rafael foi precisamente no último jogo do Varzim, frente ao Gil Vicente, em Barcelos, onde a equipa poveira contou com um apoio extraordinário de cerca de quatrocentos adeptos. A equipa recuperou de uma desvantagem de dois golos e o avançado não tem dúvidas de que a força dos varzinistas na bancada foi determinante. A emoção de momentos como esse é, para Rafael Lopes, a melhor parte do golos marcados. “Quando os adeptos gritam golo é uma sensação indescritível, principalmente, nos jogos em casa que é quando temos mais público. É emocionante e, ao mesmo tempo, gratificante. Sem o apoio dos nossos adeptos não seríamos capazes de fazer o trabalho que estamos a fazer. Eles são um elemento fundamental para o sucesso da equipa”.
Na passagem pela Formação do Varzim, Rafael conheceu e interiorizou a mística do Varzim pelo que o elevado nível de exigência na equipa profissional não o surpreende. “O Varzim tem história no futebol nacional e os adeptos exigem que a equipa esteja à altura do historial do clube. Querem ver o Varzim a vencer, querem voltar a ter a equipa na 1ª liga. Nós, jogadores, temos que estar à altura dessas exigências e corresponder às expectativas que eles criam à nossa volta”. Como se não bastasse o orgulho de pertencer a um dos clubes mais carismáticos e prestigiados de Portugal, junta-se agora o de fazer parte da equipa mais portuguesa e com mais jogadores formados nas suas Camadas Jovens. “Devíamos ser um exemplo a seguir”. E vai mais longe: “Penso que a união que existe no nosso grupo tem a ver precisamente com o facto de sermos todos portugueses (à excepção do Dédé e do Telmo) e de muitos de nós termos passado pela Formação do clube. É uma equipa com muitos jogadores da terra e mesmo os que não são poveiros, são provenientes de terras vizinhas. Todos esses pormenores têm influência”. Falando de objectivos individuais e colectivos, Rafael Lopes não esconde a vontade de ser o melhor marcador da Liga Orangina e espera poder ajudar a equipa a ir o mais longe possível na Taça de Portugal e no Campeonato. No futuro, o avançado do Varzim sonha chegar à primeira liga e, quem sabe, um dia, representar um dos três grandes. Alcunhas mantêm-se mas sem cabeleira
 A cabeleira volumosa e ousada que Rafael Lopes exibia nos tempos da Formação, valeram-lhe as alcunhas de "Valderrama" e “Mustafa”. Na altura, recusava veementemente desfazer-se do penteado mas quando chegou aos séniores tudo mudou. A praxe aos caloiros inclui uma “carecada” e, ainda que a ideia lhe tenha custado um bocado a entrar, Rafael permitiu que o impensável acontecesse. “Foi uma decisão minha. Se eu não quisesse cortar, os meus colegas respeitavam a minha vontade. Mas eu alinhei e acabei por gostar do resultado final”. O barbeiro de serviço foi o capitão de equipa Pedro Santos. A cabeleira foi-se, mas as alcunhas mantêm-se. Rafael Lopes será sempre o Mustafa para os amigos e colegas de equipa. Ou se preferirem, o Valderrama. |