Apesar de uma boa exibição e de ter segurado a vitória até ao último minuto do tempo extra, o Varzim acabou por «morrer na praia», deixando escapar dois pontos num golo que teve tanto de estranho como de imerecido...
Os Lobos do Mar abriram o activo, aos 13 minutos, num cabeceamento ao segundo poste de Gonçalo Abreu e que lhes permitiu assumir o domínio do jogo.
Ainda assim, o Freamunde foi aos poucos conseguindo equilibrar a partida e, aos 27 minutos, beneficiando de uma perda de bola no meio campo do Varzim, Bock entrou na área e com um remate certeiro fez o empate.
Os poveiros não se deixaram abalar pelo golo sofrido e, aos 31 minutos, Bruno Moreira é derrubado em falta dentro da àrea e Cosme Machado não perdoou, assinalando grande penalidade. O camisola 9 foi chamado a converter e não falhou.
Quando a vitória já era dada como certa, o pior aconteceu. Num livre à entrada da área, Kika bombeou a bola para a baliza alvinegra; Marafona acabou por largar o esférico ao embater na trave e Campinho num momento infeliz acabou por fazer auto golo.
Mais detalhes sobre este jogo nas próximas horas.
“Houve derrotas que me custaram menos do que este empate”, foi este o desafabo de Eduardo Esteves no final do jogo Varzim x Freamunde, cujo desfecho acabou por ser um dos mais amargos e injustos da presente época para os alvinegros.
A exibição da equipa teve qualidade, como é habitual, e o objectivo de complementar o nível exibicional com a conquista dos três pontos esteve muito perto de ser consumado, pela segunda vez consecutiva. Mas um bizarro autogolo, aos 93 minutos, deitou por terra as aspirações dos Lobos dos Mar que se viram assim impedidos de dar mais um salto na tabela classificativa e ultrapassar mais um adversário directo, o próprio Freamunde.
Um golo do avançado madeirense, Gonçalo Abreu (13') inaugurou o marcador e lançou a equipa para uma exibição segura e confiante, ante um Freamunde que optou por dar a iniciativa de jogo aos homens da casa. O Varzim assumiu, portanto, o domínio da partida, conseguindo anular o cariz ofensivo do opositor, através de uma boa organização defensiva e desmultiplicando-se em oportunidades de golo em ambas as partes. O segundo golo poveiro podia ter acontecido, aos 18 minutos , num «bis» de Gonçalo Abreu, mas o remate do avançado saiu ás malhas laterais.
Contra a corrente do jogo, o Freamunde acabou por reestabelecer a igualdade, beneficiando de uma perda de bola no meio campo do Varzim. Bock, na direita do ataque, recebeu o passe de um colega e rompeu pela área, rematando com sucesso (27').
O golo deu algum alento aos forasteiros que conseguiram impor algum equilíbrio no jogo, sem contudo, serem capazes de chegar com mais frequência à baliza de Marafona. Em contrapartida, o Varzim, ciente da importância da vitória, não descurou em momento algum o trabalho ofensivo e, por diversas vezes, ameaçou a baliza de Tó Figueira.
Aos 32 minutos, os Lobos do Mar reclamaram penalty por mão na bola de um jogador do Freamunde, mas Cosme Machado não fez a mesma leitura do lance. O mesmo já não aconteceu, aos 31 minutos, com Bruno Moreira a ser derrubado dentro da área por um defesa adversário. O camisola 9 foi chamado a converter a grande penalidade e não desperdiçou a oportunidade de colocar novamente a equipa em vantagem.
Os poveiros redobraram a confiança e o Freamunde começou a mostrar algum nervosismo e alguma falta de concentração, sobretudo, no sector defensivo. Aos 53 minutos, Tarcísio quase fez auto golo, num atraso que apanhou Tó Figueira desprevenido e, aos 57', uma perdida de Brandão no meio campo, permitiria a Bruno Moreira isolar-se, mas o número 23 do Freamunde acabou por fazer falta sobre o avançado poveiro, impedindo-o assim de seguir em frente.
A verdade é que o Varzim até nem precisava de deslizes adversários, uma vez que as ocasiões de golo iam surgindo num futebol corrido e com qualidade, sendo exemplos disso mesmo o passe de Nelsinho para Moreira que, no coração da área, rematou forte para defesa apertada de Tó Figueira (66') e uma bonita jogada (68'), na esquerda, entre Mendes e, novamente, Nelsinho que culminou com um remate muito perigoso do número 10 alvinegro.
Relativamente ao Freamunde, há apenas registo de um cabeceamento ao 1º poste de Cascavel, aos 76 minutos, que quase dava no empate, tendo a bola saído a rasar o poste. Já no final da partida Paulo Henrique (82'), esteve muito perto de ampliar a vantagem num remate em força, mas sem êxito.
Numa altura em que as centenas de poveiros presentes no Estádio se preparavam para festejar mais uma vitória da sua equipa, um livre directo, à entrada da área, bombeado por Kika para a baliza, acabou por ser puro veneno para o Varzim. Marafona embateu na trave, largando o esférico e Campinho, por infelicidade, acabou por introduzir a bola na baliza (93').
Uma profunda injustiça para os Lobos do Mar que foram sempre superiores no jogo, quer em termos de qualidade do futebol praticado, quer em termos de ocasiões de golo, ante um Freamunde que se viu incapaz de apresentar argumentos para contrariar o futebol poveiro. Valeu à turma de Jorge Regadas, neste jogo, comandada pelo adjunto, Pedro Monteiro, o factor «sorte» a seu favor.