|
O currículo é ainda curto, mas rico. Famalicão, FC Porto e Braga foram as escolas onde se formou como jogador e nas quais foi desenvolvendo as suas promissoras potencialidades...
Estreou-se como sénior com a camisola do Joane, depois de um longo período de paragem devido a uma lesão, mas a sua passagem pelo clube famalicense acabou por ser curta. No final da temporada, entre os vários convites que recebeu, Bruno Moreira escolheu representar o Varzim, um clube que o conquistou desde a primeira hora e ao qual sente muito orgulho pertencer.
Para começar, pedimos-te para recuares no tempo e nos contares como foi o teu início na modalidade de futebol e como se desenvolveu o teu percurso ao longo dos anos de Formação?
Comecei por jogar futebol 7, aos 12 anos, no clube da minha terra, Landim. Entretanto, pessoas com responsabilidades no FC Famalicão propuseram que fosse jogar para lá. Aceitei o convite e fiz lá os meus dois anos de Iniciado. No 1º ano de juvenil fui para o FC Porto, onde permaneci até ao 1º ano de júnior. Acabei a minha Formação no SC Braga.
Concretizaste um sonho alimentado por muitas crianças e jovens que é representar um dos maiores clubes nacionais. Em que medida consideras ter sido importante para ti a passagem pela Formação do FC Porto?
Foi marcante e uma experiência bastante enriquecedora. Não estarei a exagerar ao dizer que tudo o que sei hoje, nesta ainda minha curta carreira, devo-o muito àquela casa. Depois, o último ano, em Braga, também teve relevo porque foi o culminar da minha Formação e onde, por assim dizer, dei os primeiros passos para me tornar profissional.
A tua época de estreia como sénior foi em 06/07, no Joane. Como se processou a tua integração neste escalão?
Foi uma fase muito complicada. Eu não estive no Joane a época inteira. Comecei o meu primeiro ano de sénior lesionado. Estive desde Agosto - altura em que a época teve início, até Dezembro parado. Depois de recuperar, surgiu a possibilidade de ir para o Joane e, como é óbvio, não recusei. Joguei de Janeiro até Maio e, felizmente, consegui compensar o tempo perdido e acabei por fazer uma excelente época. Tanto assim foi que, no final, do campeonato, recebi o convite do Varzim.
Recordas-te de como tudo se desenrolou?
Sim, perfeitamente. Como disse anteriormente, felizmente, as coisas correram-me bem no Joane e no final da época surgiu o interesse de alguns clubes, entre os quais se incluía o Varzim. Como, entretanto, tinha conhecido o Dr. Miguel Ribeiro, as coisas acabaram por se tornar muito simples e optei por vir para cá. O clube correspondeu às minhas expectativas. É claro que são realidades completamente diferentes. Mas lembro-me de que fiquei muito feliz quando vim para este clube e continuo feliz por aqui estar.
Que balanço fazes destes anos ao serviço do Varzim?
Não posso fazer um balanço muito positivo porque, infelizmente, tive alguns contratempos que não me deixaram prosseguir de uma forma mais contínua o meu trajecto. Mas estou num excelente clube e, enquanto assim for, fico feliz por isso.
Apesar de ainda muito curta, a verdade é que a tua carreira foi já marcada por várias lesões e algumas delas separadas por um curto espaço de tempo. Por vezes deve ser díficil ter ânimo e motivação para ultrapassar esses momentos cinzentos...
Sim...Tenho apenas 22 anos, mas infelizmente já tive lesões bastante complicadas e que são sempre difíceis de ultrapassar. Nesses momentos, tive sempre por perto pessoas que me ajudaram muito, desde a Família a pessoas do próprio clube e quando assim é, e quando se tem vontade de prosseguir a carreira, é mais fácil ultrapassar as coisas.
Relativamente à época em curso, que análise fazes ao desempenho da equipa?
Penso que temos uma excelente equipa e já demos provas disso. Infelizmente, temos tido várias fases em que tanto conseguimos fazer óptimos jogos, como, de repente, quebramos um pouco. Por um lado isso, é normal acontecer, porque a equipa é muito jovem e precisa de tempo. De qualquer forma, acho que os sócios podem estar tranquilos porque temos uma grande equipa e que ainda lhes vai dar muitas alegrias.
Um dos problemas da equipa, que começa agora a ser ultrapassado, tem sido a ausência de golos. Sendo avançado, esse facto aumenta a pressão sobre ti?
Não quer dizer que aumente a pressão, porque ela existe sempre e em todos os jogos. Agora, com o decorrer dos jogos e a ausência de golos, é normal que haja um pouco mais de apreensão, mas com a ajuda de todos aqui dentro, vai-se para o jogo com o pensamento de que vai ser naquele jogo que vamos marcar e tudo fica mais tranquilo.
No jogo com o Feirense marcaste o golo da vitória e festejaste-o de forma efusiva. Havia nesses festejos alguma revolta, porventura, a algumas críticas menos positivas?
Não digo que festejei com revolta, porque dentro de campo estou sempre confiante de que as coisas vão correr bem, de que vou fazer um bom jogo, marcar e ajudar a equipa. Acontece que aquele golo foi muito importante para mim, porque já vinha há algum tempo em busca dele. Foi só por isso que festejei mais efusivamente.
Dentro de campo, és um jogador extremamente calmo e que não procura nem alimenta conflitos com os adversários. Presumimos que, fora das quatro linhas, pautes a tua vida também nessa onda de paz e de bem estar com os outros?
Sempre. Levo a vida com a máxima tranquilidade. Logo que ninguém me chateie, também não chateio ninguém.
O que mais valorizas no «teu» mundo?
Dou muito valor à minha Família e às pessoas com quem eu trabalho. São as que se preocupam comigo e as que me tentam ajudar.
Tens algum sonho que gostavas muito de concretizar?
Todos os profissionais de futebol ambicionam sempre mais. Eu não sou diferente. É normal, eu querer seguir a minha carreira sempre de forma crescente mas também é verdade que, por tudo aquilo que já passei e enfrentei, não posso dizer que estou mal. Enquanto estiver neste clube, estarei feliz e com vontade de enfrentar tudo. Até porque o Varzim será sempre um óptimo clube para um jogador lançar ou relançar uma carreira.
Imaginas-te a ter outra profissão que não a de futebolista?
Sinceramente não. Desde pequenino que me habituei a viver no futebol e não me imagino a fazer outra coisa.
Para terminar, pedimos-te que deixes uma mensagem para os nossos sócios e adeptos.
No jogo, em casa, com o Estoril, gostei muito da atitude dos adeptos e de ver o estádio como estava, apesar da fase que estamos a passar e do lugar em que nos encontramos. Desde que aqui estou, não me lembro de ver uma coisa assim. Muitos adeptos na bancada e toda a gente a torcer por nós. Espero que seja sempre assim. É essa a mensagem que deixo aos nossos adeptos, que continuem a estar presentes, porque esta equipa vai conseguir dar muitas alegrias.
|