O treinador João Eusébio prometera que a equipa estava forte para retomar o caminho das vitórias, depois da série de insucessos, e que seria nos Açores o início dessa caminhada. Acertou em cheio, pois o Varzim regressou aos triunfos com 1-2 em casa do líder Santa Clara, onde os açorianos ainda não tinham perdido qualquer ponto. E coincidiu com os primeiros pontos conquistados em terreno alheio pelos varzinistas. Fruto de um arreganho total da equipa que estava massacrada nos últimos jogos com empate caseiro frente ao Arouca e derrota fora com o Famalicão, além do afastamento da Taça em Amarante.
A equipa poveira teve no capitão Nelsinho o maestro de uma orquestra bem afinada. Não só comandou as operações, com uma exibição de grande nível, como foi por seu intermédio que o triunfo se abriu com um golo de se tirar o chapéu, pleno de tecnicismo ao levantar a bola sobre o guardião contrário no seguimento de uma jogada com boa dose de coletivismo. O médio Nelsinho, nesta oitava época com o emblema do Varzim ao peito, mostrou à evidência que “velhos são os trapos” e neste caso seguiu o exemplo do Vinho do Porto, “quanto mais velho melhor”, a fazer esquecer os 38 anos do Bilhete de Identidade e o facto de ser o jogador com mais idade da equipa, embora o seu melhor marcador, com três golos no Campeonato e um na Taça da Liga. Jogou e fez jogar toda a gente. Aguentou um “ritmo de jovem” durante os 94’ que esteve em campo, e quem tirou lucro foi o Varzim que regressou às vitórias em casa de quem ainda não tinha perdido nos seus domínios e ostenta os galões de líder. Com a particularidade dos varzinistas, com a sua melhor exibição da época, quebrarem um jejum de vitórias nos Açores que dista de 2008. Falta agora esquecer as eliminações das Taças da Liga e de Portugal, para se entregar a um Campeonato que foi traçado rumo aos lugares de maior destaque, segundo desejo público dos seus responsáveis.
LUIS LEAL
(Diretor do jornal “O Varzim”)
